Quando jovem
Não sabia de nada
Mas me creio mais que agora
Confio menos no mais profundo
Quando não pensava em nada
Verdadeiramente sentia as coisas
Quanto mais errado entendia
Melhor apreendia
Que do jeito que penso por hora
Não havia nem uma dúvida
Certeza até nas interrogações
Agora não me encerro
Nem no ponto final.
sexta-feira, 19 de novembro de 2010
No céu/Assalto
Se visses o que vi
Também te faltaria o ar
Tão súbito e inesperado
Tão longinquo, imemorado
Nem pensava em nada
Meus ouvidos moucos
Meus pés sobre os mesmos passos
Mas riscou o ar
Num segundo
E então já não era
Mas a vi
E aquilo imediatamente
Mudou minha noite
Só uma Estrela Cadente?
Me senti contente como criança
Nem fiz pedido
Se visses o que vi...
Mas meus olhos não eram os seus
Até quando ainda veremos estrelas?
Também te faltaria o ar
Tão súbito e inesperado
Tão longinquo, imemorado
Nem pensava em nada
Meus ouvidos moucos
Meus pés sobre os mesmos passos
Mas riscou o ar
Num segundo
E então já não era
Mas a vi
E aquilo imediatamente
Mudou minha noite
Só uma Estrela Cadente?
Me senti contente como criança
Nem fiz pedido
Se visses o que vi...
Mas meus olhos não eram os seus
Até quando ainda veremos estrelas?
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Exercício
Escrever.
Preencher toda a extensão das linhas já impressas.
Como se essa fosse a minha arte.
Escrever.
Pelo simples prazer de ter um lápis entre os dedos a pressionar suas pontas.
Pelo cheiro do papel, da borracha, da tinta.
Escrever.
E sem cor alguma, desenhar quadros multicoloridos
E sem piano ou guitarra, fazer acordes e melodias
Escrever.
Enchendo todo espaço vazio,
Como se fosse além de folha de papel.
Como se pudesse, com conta-gotas
Preencher de líquido furtacor
Meu transparente vaso vazio.
Letra após letra.
Esquerda a direita.
Inescapável fluxo sintagmal.
Como se pudesse dar ordem ao caos
Em mim e nos meus olhos.
E as letras não se esquivam, como nada, ao tempo.
E se apagam, e se somem.
E nelas não há nada de imortal.
Mas e na alma?
Quanto vento sopra o grafite?
Quanta chuva mancha a folha?
Quantos homens gritam outros nomes?
Quantos computadores processam e deletem memorias?
...Quanto de luz é necessária à leitura da alma?
E de quantos fios se precisa, para voltar ao pensamento?
E ao não-pensamento?
Sensações primárias...
O que é puro e inocente?
A ignorância?
O sim, a qualquer custo?
O sim?
...Não há pressa em minhas interrogações.
Nem há cor nesses toscos rabiscos de guardanapo.
Nem no pardo espaço invadido do jornal.
Nem há notícias, nem extras.
Há somente isto.
E, apesar de demonstrativo,
Não é nada definido.
Preencher toda a extensão das linhas já impressas.
Como se essa fosse a minha arte.
Escrever.
Pelo simples prazer de ter um lápis entre os dedos a pressionar suas pontas.
Pelo cheiro do papel, da borracha, da tinta.
Escrever.
E sem cor alguma, desenhar quadros multicoloridos
E sem piano ou guitarra, fazer acordes e melodias
Escrever.
Enchendo todo espaço vazio,
Como se fosse além de folha de papel.
Como se pudesse, com conta-gotas
Preencher de líquido furtacor
Meu transparente vaso vazio.
Letra após letra.
Esquerda a direita.
Inescapável fluxo sintagmal.
Como se pudesse dar ordem ao caos
Em mim e nos meus olhos.
E as letras não se esquivam, como nada, ao tempo.
E se apagam, e se somem.
E nelas não há nada de imortal.
Mas e na alma?
Quanto vento sopra o grafite?
Quanta chuva mancha a folha?
Quantos homens gritam outros nomes?
Quantos computadores processam e deletem memorias?
...Quanto de luz é necessária à leitura da alma?
E de quantos fios se precisa, para voltar ao pensamento?
E ao não-pensamento?
Sensações primárias...
O que é puro e inocente?
A ignorância?
O sim, a qualquer custo?
O sim?
...Não há pressa em minhas interrogações.
Nem há cor nesses toscos rabiscos de guardanapo.
Nem no pardo espaço invadido do jornal.
Nem há notícias, nem extras.
Há somente isto.
E, apesar de demonstrativo,
Não é nada definido.
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