Escrever.
Preencher toda a extensão das linhas já impressas.
Como se essa fosse a minha arte.
Escrever.
Pelo simples prazer de ter um lápis entre os dedos a pressionar suas pontas.
Pelo cheiro do papel, da borracha, da tinta.
Escrever.
E sem cor alguma, desenhar quadros multicoloridos
E sem piano ou guitarra, fazer acordes e melodias
Escrever.
Enchendo todo espaço vazio,
Como se fosse além de folha de papel.
Como se pudesse, com conta-gotas
Preencher de líquido furtacor
Meu transparente vaso vazio.
Letra após letra.
Esquerda a direita.
Inescapável fluxo sintagmal.
Como se pudesse dar ordem ao caos
Em mim e nos meus olhos.
E as letras não se esquivam, como nada, ao tempo.
E se apagam, e se somem.
E nelas não há nada de imortal.
Mas e na alma?
Quanto vento sopra o grafite?
Quanta chuva mancha a folha?
Quantos homens gritam outros nomes?
Quantos computadores processam e deletem memorias?
...Quanto de luz é necessária à leitura da alma?
E de quantos fios se precisa, para voltar ao pensamento?
E ao não-pensamento?
Sensações primárias...
O que é puro e inocente?
A ignorância?
O sim, a qualquer custo?
O sim?
...Não há pressa em minhas interrogações.
Nem há cor nesses toscos rabiscos de guardanapo.
Nem no pardo espaço invadido do jornal.
Nem há notícias, nem extras.
Há somente isto.
E, apesar de demonstrativo,
Não é nada definido.
"Duram mais os amores silenciados."
ResponderExcluirCaneta
Papel
Jeans da calça velha
Caminharam longe
Num percurso
Sem pressa
E com desejo de ficar
Do lado de dentro.