Eu não sei fazer poemas
Por que, afinal, o que são?
Eu não sei cantar versos
Eles se cortam quase por si mesmos
Eu não tenho nada pra dizer
E o que sinto é apenas
Uma vontade inquietante
De fazer meu silêncio falar
Um jeito de fazer com que
Qualquer coisa se traduzir em mim
Por qualquer mensagem subliminar
Fazer com que o que quer seja
Se faça em mim
Eu quero ser muita coisa
Sem linhas definidoras
Eu quero ser muita coisa ao mesmo tempo
Eu quero poder, inclusive, ser nada
Ter a liberdade (a mais pura liberdade) de ser nada
Eu quero ser por não ser
Eu gosto que o que digo
Signifique várias coisas
Eu gosto que o que leio, o que ouço, o que penso
Seja várias coisas, ao mesmo tempo
Eu gosto de ser e não ser
Eu gosto de querer e não querer
Eu quero poder ter os nomes que quiser
Eu quero ter meu céu azul anil
E ver o que quiser nas nuvens de algodão
sexta-feira, 30 de julho de 2010
Pó [-ema sem nome]
As vezes sinto um enfado extremo
Do mundo e de tudo
Do tempo
Dos maus pensamentos
Das pessoas
Dos falsos destinos
Dos falsos objetivos
Das falsas vitórias
Nada faz sentido, de fato
Nada existe, é tudo inventado
E, portanto, é falso
Que raiva me vem de tudo!
Se não há sentido
Então não faz mais sentido
Não o fazer também?
Do mundo e de tudo
Do tempo
Dos maus pensamentos
Das pessoas
Dos falsos destinos
Dos falsos objetivos
Das falsas vitórias
Nada faz sentido, de fato
Nada existe, é tudo inventado
E, portanto, é falso
Que raiva me vem de tudo!
Se não há sentido
Então não faz mais sentido
Não o fazer também?
Sinal Gráfico
Entre
Sempre os mesmo fragmentos
Interrompidos
Entre
Sempre a falta de conclusão
Subjetiva
Sempre
De volta ao mesmo ponto
Sempre
O mesmo ponto curvilíneo
Sensualmente dissimulado
Destruindo todas as minhas certezas
Uma-à-uma
Enganando-me
Dançando sobre o ponto final
Deturpando-o
Sempre os mesmo fragmentos
Interrompidos
Entre
Sempre a falta de conclusão
Subjetiva
Sempre
De volta ao mesmo ponto
Sempre
O mesmo ponto curvilíneo
Sensualmente dissimulado
Destruindo todas as minhas certezas
Uma-à-uma
Enganando-me
Dançando sobre o ponto final
Deturpando-o
domingo, 25 de julho de 2010
Itinerário
Dentro ou fora
Na multidão não somos sequer um
Não querem realmente saber
Quando nos perguntam como estamos
Quando realmente estamos?
Já sabemos bem
Nem corremos o risco
É mais fácil guardar o que quer que seja
Evitar explanações desnecessário
Afinal, o que deveríamos dizer?
Tudo é tão pequeno e trivial
Um senhor sentado a meu lado
Me contava como havia sido seu dia
E ainda eram oito da manhã
E eu
Não o escutava
Retirei os meus fones de ouvido
De que vale a rima?
Que me importa quem a leia?
Pra que poesia em tempos como o nosso?
Há de haver
Ouvidos e línguas verdadeiras
Hoje
Ser Fernando Pessoa
É tentar ser você mesmo
[2010]
> Certo, eu sei. Mas não vou tentar ser completamente coerente. Quando encontrar mais respostas, edito o poema! rs.
Na multidão não somos sequer um
Não querem realmente saber
Quando nos perguntam como estamos
Quando realmente estamos?
Já sabemos bem
Nem corremos o risco
É mais fácil guardar o que quer que seja
Evitar explanações desnecessário
Afinal, o que deveríamos dizer?
Tudo é tão pequeno e trivial
Um senhor sentado a meu lado
Me contava como havia sido seu dia
E ainda eram oito da manhã
E eu
Não o escutava
Retirei os meus fones de ouvido
De que vale a rima?
Que me importa quem a leia?
Pra que poesia em tempos como o nosso?
Há de haver
Ouvidos e línguas verdadeiras
Hoje
Ser Fernando Pessoa
É tentar ser você mesmo
[2010]
> Certo, eu sei. Mas não vou tentar ser completamente coerente. Quando encontrar mais respostas, edito o poema! rs.
Crônica [poética] dum amanhecer
[Afinal, onde termina a prosa e onde começa a poesia?]
De manhã acordei sentindo você
Sentindo falta de você
Os raios de sol entrando pela janela
Como mãos me acordando
Mas ainda me demorei
Senti seu cheiro em todas as coisas ao redor
Tentando escutar sua voz ao longe
Ainda sem abrir os olhos
Me deliciei com aquele momento de apenas sentir
De não precisar pensar
De não precisar explicar
Porque nem sempre sei dizer o que quero
Nem sempre sei traduzir o que sinto
Se não fizer as contas
Nem sei há quanto tempo você entrou na minha vida
Mas não quis fazer
Parece que você sempre esteve comigo
Ou então só comecei a existir depois de você
Senti uma vontade desesperada de ser sua
Completamente sua
De me perder em você
Como quando dois rios se encontram
E já não saber que águas fazem parte de mim
E que partes vazias a sua água preencheu
Mas me perco em você
Como quem sempre andou perdido
E finalmente encontrou o caminho de casa
Passo as pontas dos dedos de leve nas cobertas desarrumadas
Como se estivesse tocando sua pele
Vendo você adormecida
Linda
Através dos Meus Olhos
Sem me importar com formas ou aparências
Sem querer ter a pretensão de saber
O que é certo e o que é errado
Apenas confiando na bondade e pureza dentro de mim
Ao abrir os olhos
E ver apenas uma fotografia sua
Como criança, sinto como se tivessem me tirando
O melhor doce da boca
Mas, mesmo com a língua mordida,
Sinto o gosto doce que tem o seu carinho
E me levanto
Pra te encontrar
[2006]
De manhã acordei sentindo você
Sentindo falta de você
Os raios de sol entrando pela janela
Como mãos me acordando
Mas ainda me demorei
Senti seu cheiro em todas as coisas ao redor
Tentando escutar sua voz ao longe
Ainda sem abrir os olhos
Me deliciei com aquele momento de apenas sentir
De não precisar pensar
De não precisar explicar
Porque nem sempre sei dizer o que quero
Nem sempre sei traduzir o que sinto
Se não fizer as contas
Nem sei há quanto tempo você entrou na minha vida
Mas não quis fazer
Parece que você sempre esteve comigo
Ou então só comecei a existir depois de você
Senti uma vontade desesperada de ser sua
Completamente sua
De me perder em você
Como quando dois rios se encontram
E já não saber que águas fazem parte de mim
E que partes vazias a sua água preencheu
Mas me perco em você
Como quem sempre andou perdido
E finalmente encontrou o caminho de casa
Passo as pontas dos dedos de leve nas cobertas desarrumadas
Como se estivesse tocando sua pele
Vendo você adormecida
Linda
Através dos Meus Olhos
Sem me importar com formas ou aparências
Sem querer ter a pretensão de saber
O que é certo e o que é errado
Apenas confiando na bondade e pureza dentro de mim
Ao abrir os olhos
E ver apenas uma fotografia sua
Como criança, sinto como se tivessem me tirando
O melhor doce da boca
Mas, mesmo com a língua mordida,
Sinto o gosto doce que tem o seu carinho
E me levanto
Pra te encontrar
[2006]
sábado, 17 de julho de 2010
Abrigo
Nosso amor
Tem janelas vastas e arejadas
Por onde a maresia e a luz do sol
Entram no nosso lar
Nosso amor
Tem a cor dos lençóis brancos
Bagunçados e quentes
E a mancha de sangue virginal
Nosso amor
Tem o cheiro de flores secas
Reminiscências de paixão em picotes e fotografias
E o gosto doce saturado
De frutas em estado de amadurecimento avançado
Nosso amor
Tem bengalas e chinelos quentes
Xícaras vazias com ervas ainda ao fundo
Tem tinta, papel e beijo
E o gozo de sexo matinal
[2008]
Tem janelas vastas e arejadas
Por onde a maresia e a luz do sol
Entram no nosso lar
Nosso amor
Tem a cor dos lençóis brancos
Bagunçados e quentes
E a mancha de sangue virginal
Nosso amor
Tem o cheiro de flores secas
Reminiscências de paixão em picotes e fotografias
E o gosto doce saturado
De frutas em estado de amadurecimento avançado
Nosso amor
Tem bengalas e chinelos quentes
Xícaras vazias com ervas ainda ao fundo
Tem tinta, papel e beijo
E o gozo de sexo matinal
[2008]
Canibal
As luzes estão apagadas
Não há nada a se ver
Onde há apenas sombra e poeira
No canto do quarto escuro
Ele mantinha os olhos frios imóveis
Secos
As mãos ensanguentadas
Circundavam algo pulsante
O qual, de tempos em tempos,
Era levado com repulsa
A boca suja e muda
Que mastigava com vagareza
O tecido morno, já quase frio
Do órgão que lhe foi entregue
Ou que foi roubado
Ou era seu próprio coração
Que o alimentava (?)
[2010]
Não há nada a se ver
Onde há apenas sombra e poeira
No canto do quarto escuro
Ele mantinha os olhos frios imóveis
Secos
As mãos ensanguentadas
Circundavam algo pulsante
O qual, de tempos em tempos,
Era levado com repulsa
A boca suja e muda
Que mastigava com vagareza
O tecido morno, já quase frio
Do órgão que lhe foi entregue
Ou que foi roubado
Ou era seu próprio coração
Que o alimentava (?)
[2010]
Salto
Beethoven
9º sinfonia
Fones de ouvido
Cabelos no rosto
Ombros relaxados
Jeans e tênis no parapeito
Asfalto
Carro a 100 Km/h
Motorista
Frustrado
Irritado
Na calçada
Calma
Ela já nem mais estava
Em seu campo de visão
Direcionado sempre ao futuro
Então não viu
Seus passos rápidos
Seu salto
Freios
Direção
Seu corpo contra o pára-choque
no pára-brisa
Sangue
Capota
Asfalto
Jeans rasgado, tênis sem par
Ombros em ângulos estranhos
Cabelos no rosto
Fones de ouvido
Ainda gritavam fora dos eixos
A 9º Sinfonia de Beethoven
[2009]
9º sinfonia
Fones de ouvido
Cabelos no rosto
Ombros relaxados
Jeans e tênis no parapeito
Asfalto
Carro a 100 Km/h
Motorista
Frustrado
Irritado
Na calçada
Calma
Ela já nem mais estava
Em seu campo de visão
Direcionado sempre ao futuro
Então não viu
Seus passos rápidos
Seu salto
Freios
Direção
Seu corpo contra o pára-choque
no pára-brisa
Sangue
Capota
Asfalto
Jeans rasgado, tênis sem par
Ombros em ângulos estranhos
Cabelos no rosto
Fones de ouvido
Ainda gritavam fora dos eixos
A 9º Sinfonia de Beethoven
[2009]
À deriva I
Canoa rede
Balança leve
Embala o sonho
Da menina jovem
Mãos de neve
Fiavam os cílios
Do espelho verde
Do mar sem rosas
Folhas secas
E o verde breu
Soavam sinos
Agonizando nos véus
Faltava destreza
Nas mãos em seda
Desenhavam cores
Os remos seus
Fundavam sem andar
Fingindo guiar
Fugindo
Fingindo
[2010]
Balança leve
Embala o sonho
Da menina jovem
Mãos de neve
Fiavam os cílios
Do espelho verde
Do mar sem rosas
Folhas secas
E o verde breu
Soavam sinos
Agonizando nos véus
Faltava destreza
Nas mãos em seda
Desenhavam cores
Os remos seus
Fundavam sem andar
Fingindo guiar
Fugindo
Fingindo
[2010]
sexta-feira, 16 de julho de 2010
À deriva II
Corria descalça
Temia uma sombra
Que lhe tropeçava nas pernas
Que lhe segurava as ancas
Havia sempre alguém a seguindo
Roupas roçavam seus tornozelos
E de quem eram aqueles cabelos
Que lhe emaranhavam as íris?
Respirava em falso
Uma dor furando o peito
Em seus olhos, somente medo
Abria caminho em meio aos galhos
Deu de joelhos ao espelho
Espanto na outra face
E que mãos eram aquelas
Que buscavam a margem?
Por fim, deu-se conta
Tocando a si, trocando
Pendeu-se então, perdeu-se
Mergulhando...
[2010]
Temia uma sombra
Que lhe tropeçava nas pernas
Que lhe segurava as ancas
Havia sempre alguém a seguindo
Roupas roçavam seus tornozelos
E de quem eram aqueles cabelos
Que lhe emaranhavam as íris?
Respirava em falso
Uma dor furando o peito
Em seus olhos, somente medo
Abria caminho em meio aos galhos
Deu de joelhos ao espelho
Espanto na outra face
E que mãos eram aquelas
Que buscavam a margem?
Por fim, deu-se conta
Tocando a si, trocando
Pendeu-se então, perdeu-se
Mergulhando...
[2010]
À Pedro
[Que não entendia Literatura]
Pedro parecia mesmo Pedra
Paralelepípedamente Reto
Tudo que lhe falavam
Pedro tolhia e toldava
E empilhava após caprichoso polido
Pedro parecia ter tudo o que queria
Mas Pedro não entendia Poesia
Sabe, Pedro? Talvez tudo o que precise
Seja um pouco de desequilíbrio
Não sabes tu o quanto é gostoso
Não precisar fazer sentido
(Sim, aquele dos soldados).
[2010]
Pedro parecia mesmo Pedra
Paralelepípedamente Reto
Tudo que lhe falavam
Pedro tolhia e toldava
E empilhava após caprichoso polido
Pedro parecia ter tudo o que queria
Mas Pedro não entendia Poesia
Sabe, Pedro? Talvez tudo o que precise
Seja um pouco de desequilíbrio
Não sabes tu o quanto é gostoso
Não precisar fazer sentido
(Sim, aquele dos soldados).
[2010]
Relicário de Bobagens II
(ainda sobre o título)
Numa caixa de objetos sacros
Guardo de mim pedaços inaptos
Bobagens sem fio
Coisas desimportantes
Por que haveria de ser
O que digo
Algo mais que isto?
O que haveria de ser eu
Senão aquilo que penso e sinto?
E nada disso é importante.
Não quero ser qualquer coisa
Além do natural.
O divino e o tolo
Se limitam por tênue fronteira
Ilusória
A verdade e a mentira
Compartilham o mesmo plano
E a mesma hora.
A lembrança é sempre infiel
Desmedida, duvidosa
E não há uma razão,
Uma missão, um destino.
Tudo são bobagens
Trancadas em relicários
[2010]
Numa caixa de objetos sacros
Guardo de mim pedaços inaptos
Bobagens sem fio
Coisas desimportantes
Por que haveria de ser
O que digo
Algo mais que isto?
O que haveria de ser eu
Senão aquilo que penso e sinto?
E nada disso é importante.
Não quero ser qualquer coisa
Além do natural.
O divino e o tolo
Se limitam por tênue fronteira
Ilusória
A verdade e a mentira
Compartilham o mesmo plano
E a mesma hora.
A lembrança é sempre infiel
Desmedida, duvidosa
E não há uma razão,
Uma missão, um destino.
Tudo são bobagens
Trancadas em relicários
[2010]
quarta-feira, 14 de julho de 2010
Relicário de Bobagens
Relicário de bobagens
Relicário de mentiras
Se tudo o mais o é
Por que o que digo haveria de ser outra coisa
Sorrio dos que querem ser importantes
Eu, que nada sou
O sei, e sou grata por o saber
E não quero ser nada além disso
Nada, bobagem...
Blasfêmia é pensar nas coisas
E crer em mentiras
E esquece-las quando é conveniente
Ignorância é não saber admitir
Que não se sabe de alguma coisa
E não sabemos de nada
A convenção e as ciências
São uma grande bobagem, é o que digo
Bobagem
[2010]
Relicário de mentiras
Se tudo o mais o é
Por que o que digo haveria de ser outra coisa
Sorrio dos que querem ser importantes
Eu, que nada sou
O sei, e sou grata por o saber
E não quero ser nada além disso
Nada, bobagem...
Blasfêmia é pensar nas coisas
E crer em mentiras
E esquece-las quando é conveniente
Ignorância é não saber admitir
Que não se sabe de alguma coisa
E não sabemos de nada
A convenção e as ciências
São uma grande bobagem, é o que digo
Bobagem
[2010]
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