[Afinal, onde termina a prosa e onde começa a poesia?]
De manhã acordei sentindo você
Sentindo falta de você
Os raios de sol entrando pela janela
Como mãos me acordando
Mas ainda me demorei
Senti seu cheiro em todas as coisas ao redor
Tentando escutar sua voz ao longe
Ainda sem abrir os olhos
Me deliciei com aquele momento de apenas sentir
De não precisar pensar
De não precisar explicar
Porque nem sempre sei dizer o que quero
Nem sempre sei traduzir o que sinto
Se não fizer as contas
Nem sei há quanto tempo você entrou na minha vida
Mas não quis fazer
Parece que você sempre esteve comigo
Ou então só comecei a existir depois de você
Senti uma vontade desesperada de ser sua
Completamente sua
De me perder em você
Como quando dois rios se encontram
E já não saber que águas fazem parte de mim
E que partes vazias a sua água preencheu
Mas me perco em você
Como quem sempre andou perdido
E finalmente encontrou o caminho de casa
Passo as pontas dos dedos de leve nas cobertas desarrumadas
Como se estivesse tocando sua pele
Vendo você adormecida
Linda
Através dos Meus Olhos
Sem me importar com formas ou aparências
Sem querer ter a pretensão de saber
O que é certo e o que é errado
Apenas confiando na bondade e pureza dentro de mim
Ao abrir os olhos
E ver apenas uma fotografia sua
Como criança, sinto como se tivessem me tirando
O melhor doce da boca
Mas, mesmo com a língua mordida,
Sinto o gosto doce que tem o seu carinho
E me levanto
Pra te encontrar
[2006]
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