sexta-feira, 16 de julho de 2010

Relicário de Bobagens II

(ainda sobre o título)

Numa caixa de objetos sacros
Guardo de mim pedaços inaptos
Bobagens sem fio
Coisas desimportantes
Por que haveria de ser
O que digo
Algo mais que isto?
O que haveria de ser eu
Senão aquilo que penso e sinto?
E nada disso é importante.
Não quero ser qualquer coisa
Além do natural.
O divino e o tolo
Se limitam por tênue fronteira
Ilusória
A verdade e a mentira
Compartilham o mesmo plano
E a mesma hora.
A lembrança é sempre infiel
Desmedida, duvidosa
E não há uma razão,
Uma missão, um destino.
Tudo são bobagens
Trancadas em relicários

[2010]

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