sexta-feira, 16 de julho de 2010

À deriva II

Corria descalça
Temia uma sombra
Que lhe tropeçava nas pernas
Que lhe segurava as ancas

Havia sempre alguém a seguindo
Roupas roçavam seus tornozelos
E de quem eram aqueles cabelos
Que lhe emaranhavam as íris?

Respirava em falso
Uma dor furando o peito
Em seus olhos, somente medo
Abria caminho em meio aos galhos

Deu de joelhos ao espelho
Espanto na outra face
E que mãos eram aquelas
Que buscavam a margem?

Por fim, deu-se conta
Tocando a si, trocando
Pendeu-se então, perdeu-se
Mergulhando...

[2010]

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